Lição sobre educação de crianças hoje

Muito válidas as premissas da educação infantil dadas por Içami Tiba, da perspectiva dos pais.

içami tiba

Pais que não disciplinam os filhos terão que sustentá-los a vida toda.

Não é errando que se aprende, mas sim corrigindo o erro.

Os pais podem aos filhos dar muito amor, carinho, respeito. Ensinar tolerância, solidariedade e cidadania. Exigir reciprocidade, disciplina e religiosidade. Reforçar a ética e a preservação da Terra. Pois é de tudo isso que se compõe a autoestima. É sobre a autoestima que repousa a alma, e é nessa paz que reside a felicidade.

O principal “veneno” da educação dos filhos é a culpa. Culpa de trabalhar fora, quando pensa que devia estar com os filhos. Culpa de estar com os filhos, quando acha que devia estar trabalhando.

O adolescente não é dono do quarto.

Nenhuma criança nasce folgada, ela aprende a ser.

Ser educado é ser ético, progressivo, competente e feliz.

O erro mais frequente na educação do filho é colocá-lo no topo da casa.

Pais que querem filhos disciplinados precisam proporcionar um ritmo básico para eles. Quem não tem ritmo desobedece porque a normalidade para ele é justamente a falta de ordem.

Pai não é melhor que mãe nem vice‐versa. São apenas diferentes.

Quem tem valores sólidos dentro de si é capaz de olhar para uma situação sem ser envolvido por ela, e pode analisá-la e criticá-la.

Há casos em que há tantas expectativas e tantos sonhos atrelados à criança, que os pais não a veem como realmente é. Relacionam-se com o filho sonhado e não com o filho real.

Não se pode fazer o que se quer, pois a vontade tem que ser educada. As regras existem para o benefício de todos, e a disciplina faz parte da educação de uma sociedade.

Aprovar tudo o que a criança faz ensina‐lhe que quem a ama satisfaz todas as suas vontades. Mas a própria vida vai se encarregar de contrariá‐la.

A herança genética está nos cromossomos. Mas desde o nascimento a criança absorve o modo de viver, o “como somos” da família. Assim, ela aprende naturalmente com as pessoas que a cercam.

A arte de ser mãe e pai é educar os filhos para que se tornem afetivamente autônomos, financeiramente independentes e cidadãos éticos do mundo.

Ensinar é um gesto de generosidade, humanidade e humildade.

Içami Tiba, autor, médico psiquiatra, faleceu em 2015. Uma de suas especialidades ao falar da educação das crianças visando formação de bons cidadãos era a relação psicologia, pais e alunos.

Fonte: http://www.antroposofy.com.br

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Brasil na Elite Mundial de Matemática

mathO Brasil acaba de entrar para a elite da Matemática mundial, junto com Alemanha, Canadá, China, Estados Unidos, França, Israel, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia. A decisão é do IMU que congrega as sociedades matemáticas do mundo – 76 nações estão lá. As Olimpíadas de Matemática popularizam a Matemática no Brasil. Mas a decisão veio pela quantidade e qualidade de programas de pós-graduação no país, total de publicações científicas em periódicos relevantes e os nomes de destaque. O país entra por categorias de excelência. Iniciamos em 1954 no Grupo I e fomos subindo até chegar agora ao Grupo 5, pelo brilho na pesquisa matemática.

matematicos

Alguns matemáticos famosos no mundo.

O trabalho de Artur é pensar borboletas. No seu vocabulário, elas são chamadas de objetos – infinitos, complexos, caóticos, únicos, imensos, previsíveis, prováveis, elegantes, belos, monstruosos. Esses adjetivos, todos eles, integram o léxico dos matemáticos, alguns com uso preciso e técnico, outros como recurso para descrever atividades do espírito. Os objetos só existem como coisa mental. Ninguém sabe onde habitam. Os matemáticos ainda não chegaram à conclusão se o que fazem é inventar ou descobrir os seus objetos. “Onde está tanta ordem?”, é a maneira como Artur formula a questão, que de resto não lhe interessa responder por não ser um problema matemático.” Trecho de texto João Paulo Caldeira sobre Artur Avila. Jornal GGN.

Em agosto de 2018, acontece o Congresso Mundial de Matemática – 1º do Hemisfério Sul e 1º do Brasil. Será no Rio de Janeiro e já está aberto o site do Congresso para inscrição dos trabalhos e para quem vai participar. Será no Rio de Janeiro, no RioCentro.

Fiz este post pensando em Ricardo de Souza. Ele é desta geração de jovens matemáticos que, como professor ou pesquisador, faz da matemática a porta de entrada em um universo amplo, em dinâmica permanente. É um dos melhores professores de matemática que conheci e com quem trabalhei. Sua família tem vários educadores.

Quando Ricardo dá aula, ou cria um exercício visual para os alunos entenderem a essência da Matemática, ou analisa um filme para seus colegas visando os conteúdos educacionais, há muita cor em suas imagens, há variadas nuances em seus conceitos, há muita vida em tudo que faz quando assunto é sua Matemática. Ele entra na sua alma e no seu coração e, você, desavisado, nem vê, e se encanta todo. Um professor da Alma.

O Brasil tem muito do que se orgulhar.  A começar por este posicionamento na Matemática mundial e por seus cidadãos de ouro puro.

 

Educação na Finlândia X USA

“As crianças devem ter mais tempo para serem crianças, para serem jovens e aproveitarem a vida…”

“As crianças tem muito o que fazer depois da escola, como estarem juntos, estarem em família, praticar esportes, tocar música, ler…”

“Seu cérebro cérebro tem que relaxar de vez em quando, se ele só trabalha e trabalha, ele pára de aprender…”

“Falar da escola é falar sobre como descobrir a nossa felicidade, descobrir uma maneira de aprender o que te faz feliz…”

“Nós tentamos ensinar-lhes tudo aquilo que necessitam, de modo que possam usar efetivamente os seus cérebros o melhor que podem, incluindo educação física, artes, música, tudo o que possa de fato fazer o cérebro trabalhar melhor…”

“Eles precisam ser cozinheiros, cantores, fazer arte, passeios na natureza e fazer todas estas coisas porque existe este curto espaço de tempo em que lhes é permitido serem crianças…”

Pergunta: “Se vocês não tem testes padronizados aqui na Finlândia, como sabem quais são as melhores escolas?
Resposta: “A escola do bairro é a melhor é a melhor escola. Não é diferente da escola que pode estar situada no centro da cidade, porque todas as escolas na Finlândia, elas são equivalentes.”

“É ilegal na Finlândia instalar uma escola e cobrar mensalidade, por isso que não existem escolas privadas. E isso significa que os pais ricos têm que assegurar que as escolas públicas sejam ótimas. E ao fazerem que as crianças ricas estudem junto com todas as outras, elas crescem com todas as outras crianças como amigos. E quando eles se tornam adultos saudáveis, isso trás uma maior harmonia social…”

“Aqui a educação é centrada nas crianças…”

“Quando eu dizia aos meus alunos, durante um estágio nos Estados Unidos, que eles poderiam ser o que quisessem quando quando crescer, eu sentia como uma espécie de mentira. Aqui na Finlândia, não soa falso dizer que eles realmente podem ser o que quiserem…”

“Tentamos ensinar-lhes a pensarem por eles próprios, a serem críticos com aquilo que estão a aprender…”

“Tentamos ensinar-lhes a serem pessoas felizes, a respeitarem-se uns aos outros e a si próprios…”

Pergunta: “Vocês estão preocupados com a felicidade deles?
Resposta: “Sim.”
Pergunta: “Que raio você ensina?”
Resposta: “Eu ensino matemática.”
Pergunta: “Então, como professor de matemática, a primeira coisa que lhe ocorre dizer sobre o que quer que estes alunos obtenham com a escola, é que sejam felizes, que tenham uma vida feliz?”
Resposta: “Sim..”

“Quando é que eles vão ter tempo para brincar e sociabilizar com os seus amigos, e crescerem como seres humanos? Porque existe muito mais vida além da escola…”

Pergunta: “Vocês querem que eles brinquem?”
Resposta: “Eu quero que eles brinquem…”

Trechos do documentário de Michel Moore “Where to invade Next”. Comparando a educação americana e a da educação pública da Finlândia – considerada a melhor do mundo.

De mochilas e materiais

mochilas e tamanhos

Na escola, as crianças chegam às vezes carregadas. Uma notícia de Prefeitura na Bahia que teria dado a crianças uma mochila maior que elas (destinada, originalmente, só a adolescentes) mostram o total despreparo destas pessoas que estão na educação, para olharem o aluno, seus pais, seu entorno. A notícia vem com ironia e tristeza:

Mochila gigante vira meme nas redes sociais

Prefeitura de Jequié rebateu críticas e falou sobre a educação na cidade

Vem aí Prêmio para Professores da Rede Pública!

global teacher prizeProfessores desenvolvem suas práticas e nem sempre se dão conta de que estão inovando, e muitas vezes, solucionando, questões importantes em várias áreas da educação. Afoitos para chegarem aos resultados que buscam, esquecem que tais experiências merecem vitrine. Não só para a projeção do profissional e sua auto-estima mas – por que não? – bons prêmios! Além de estimularem colegas a uma assertividade em seu trabalho diário.

A oportunidade vem vindo aí – Prêmio Professores do Brasil 2018.

No site http://premioprofessoresdobrasil.mec.gov.br  deverá ser preenchido um formulário online, relatando sua prática pedagógica, e incluindo documentos que comprovem a realização do trabalho. No sistema de inscrição há orientações sobre formato e conteúdo das submissões.

O objetivo central do prêmio, que está em sua 10ª edição, é reconhecer os melhores profissionais e divulgar suas práticas.

Podem concorrer ao prêmio educadores da rede pública de todo o país, divididos nas seguintes categorias:

  • educação infantil (creche);
  • educação infantil (pré-escola);
  • anos iniciais do ensino fundamental (ciclo de alfabetização, do 1º ao 3º ano);
  • anos iniciais do ensino fundamental (4º e 5º ano);
  • anos finais do ensino fundamental (do 6º ao 9º ano); e ensino médio.

Em cada categoria, serão premiados professores nos níveis estadual, regional e nacional. Na etapa estadual, 486 educadores serão reconhecidos com uma placa de homenagem. Os 162 autores de práticas inovadoras melhores avaliadas ainda irão receber um prêmio regional, que inclui R$ 7 mil, um troféu e uma viagem de oito dias para participar de uma capacitação na Irlanda. Como grande destaque, os seis autores professores que desenvolveram as melhores práticas pedagógicas também recebem um valor adicional de R$ 5 mil.

Além de se candidatar em uma das seis categorias, neste ano os professores também podem submeter projetos nas áreas temáticas de esporte, conservação da água, estimulo ao conhecimento científico e uso de tecnologias de informação e comunicação. Os inscritos nos temas especiais também serão premiados com valores em dinheiro, troféus, viagens e capacitações.

Os limites para a criança

“O limite constrói o caráter e valores morais – define quem sou.”
Padrões de comportamento, desenvolvimento social, inibição dos impulsos e anseios não se desenvolvem sozinhos. É preciso ensinar tudo isso à criança. E, não é nada fácil desagradá‐la, frustrá‐la, impedi‐la, mas essa é a função dos pais: a de dar um “norte”, um rumo, um leito seguro e um solo firme porque na vida tem‐se que estar seguro e confiante para poder enfrentar todas as vicissitudes que por ventura surgirem.
Pilar Tetilla Manzano Borba

Alfabetizar precocemente

crianca-lendo

A decisão de alfabetizar precocemente – verdade considerada própria da modernidade – vem sendo repensada, como quase tudo no mundo de hoje. Vivemos em uma sociedade onde a verdade é provisória.

Neste sentido, vale a pena ler um texto de Sueli Passerini, da Biblioteca Virtual de Antroposofia (biblioteca esta que vale a pena conhecer: http://www.antroposofy.com.br/), sobre a questão de Alfabetizar Precocemente:

“Crianças só tem uma infância, roube-as dela e elas a terão perdido para sempre”


É possível alfabetizar uma criança com menos de 7, 6 ou até 5 anos de idade? Sim, é possível alfabetizar muito cedo uma criança. Mas será uma alfabetização significativa? Que comprometimentos podem advir do que entendemos como aceleração da alfabetização? Qual é o ganho efetivo para a criança?

Ouço muitas vezes no consultório os pais preocupados com o futuro caminho profissional definido pelo vestibular de seu filho ou filha de apenas 3, 4, 5 anos. Quando pergunto aos pais o que eles entendem do brincar de sua criança, geralmente respondem que é apenas um passatempo, exceto pelos jogos de raciocínio. Eles consideram importante preparar a sua criança para a vida, para a competição do mundo, para uma profissão que lhe dê “felicidade” – palavra quase sempre atrelada a “dinheiro”.

No entanto, se olhamos a criança quando ela está brincando, fantasiando, subindo em árvores ou correndo com outras crianças, verificamos um universo muito particular no qual ela desenvolve capacidades e uma confiança que, muitas vezes, não encontramos no universo dos adultos bem sucedidos.

É por esse motivo que nas escolas Waldorf nós defendemos que até pelo menos os 6 ou 7 anos a criança simplesmente… brinque. O tempo que alguns julgam que ela “perde” por não ser rapidamente alfabetizada, ela na verdade ganha, acumulando forças internas para poder enfrentar o mundo que às vezes tanto preocupa os adultos.

Há quase 100 anos da fundação da primeira escola Waldorf na Alemanha, baseada em uma concepção de mundo denominada de Antroposofia, elaborada por Rudolf Steiner, confiamos cada vez mais nos resultados dessa prática, hoje disseminada em mais de 3 mil instituições em todo o mundo (com cerca de 25 escolas no Brasil, e dezenas de jardins de infância) orientando educadores quanto a essa questão.

A antropologia antroposófica reconhece a importância do desenvolvimento físico, anímico e espiritual do ser humano em formação. Os sete primeiros anos da criança, por exemplo, representam uma fase de grande dispêndio de energia para preparar toda uma condição física. Isso se evidencia em um desenvolvimento neurológico e sensorial que tem sua expressão no domínio corporal, na linguagem oral, na fantasia, na inteligência.

Contudo, é na atividade do brincar que essas capacidades são desenvolvidas com alegria e seriedade, com atenção e responsabilidade, com segurança e confiança em um mundo bom, que não exige da criança além de suas possibilidades, ou seja, uma entrada precoce no mundo adulto. E alfabetizar precocemente significa empurrar a criança para o mundo adulto (para o qual ela não está preparada, portanto) antes da hora, um gasto de energia que poderá fazer falta na vida futura dela.

Em minha experiência docente, assim como psicopedagógica, sempre constato que, para uma criança pequena, o código alfabético é estéril, sem cor, sem beleza, pois é abstrato e desconhecido. Mesmo depois de alfabetizada, é o desenho que representa tão significativamente as suas vivências. Podemos verificar tal condição quando estudamos a escrita gráfica de nossos antepassados longínquos e a forma de comunicação de nossas crianças, o desenho. A escrita do povo egípcio, os hieróglifos, é a representação objetiva da realidade, ou seja, a re(a)presentação do mundo sensório pelo desenho. Mas quando em 3.000 a.C. surgiu a escrita fonética dos fenícios, ocorreu um distanciamento dessa forma de expressão, porque as letras não tem mais relação direta com os elementos do mundo circundante.

O desenho da criança é a forma de comunicação natural, semelhante aos antigos egípcios, que revela seu universo infantil com o código que lhe é caro e próprio. Quando a sua criança lhe mostra um desenho que tenha feito, ela está lhe contando como vê o mundo, como se sente, se está alegre ou triste. Não é só a escrita que é capaz disso. Nas escolas Waldorf a alfabetização pelo código fonético inicia-se pelo desenho, de forma lenta e gradual, a partir dos 6 1/2 ou 7 anos, mas o desenho e a pintura correm em paralelo por toda a escolaridade, como uma forma de comunicação tão importante quanto nossa linguagem escrita.

A pedagogia Waldorf pressupõe que o professor, realizador dessa pedagogia, conheça o ser humano em seu desenvolvimento geral, respeite o contexto sociocultural em que o aluno está inserido e sua individualidade, saiba organizar seu ensino privilegiando a brincadeira, o canto, a dança, para que a alfabetização (e qualquer outro conteúdo de ensino) tenha significado e seja efetiva.

O brincar da criança, seu desenho, sua imaginação e sua criatividade, fazem parte de seu aprendizado sobre o mundo e sobre si mesma. O brincar representa o princípio lúdico que embasa as atividades dinâmicas e artísticas e pode orientar toda a prática docente, mas que também dá significado ao ensino-aprendizado, pois pode expressar o motivo, assim como, o vínculo afetivo com o professor e com o conteúdo.

Termino com uma frase do filósofo Friedrich Schiller:

“O homem só brinca ou joga enquanto é homem no pleno sentido da palavra, e só é homem enquanto brinca ou joga”.

Foto: http://www.sobrec.com.br