No jornal O Globo de ontem (14/11) estava a manchete triste: Pesquisa mostra que apenas 2% dos jovens querem ser professores. A notícia fala dos velhos problemas: falta de preparo dos professores, salários baixos e indica que “apenas 2% dos jovens querem cursar Pedagogia ou alguma licenciatura, segundo pesquisa da Fundação Carlos Chagas.”
Segundo o MEC, os alunos de licenciatura ou Pedagogia vem diminuindo na modalidade presencial, por causa da falta de interesse dos jovens. Em 2005, 1,2 milhão de alunos estudava alguma licenciatura, número que, em 2009, passou para 978 mil. No mesmo período, o número de alunos de Pedagogia caiu de 288 mil para 247 mil. No entanto, houve expansão das graduações à distância, para atender à necessidade de professores que já estão no mercado de trabalho. De 2005 para 2009, o número de estudantes das licenciaturas subiu de 101 mil para 427 mil. Nos cursos de Pedagogia, o número pulou de 27 mil para 265 mil, no mesmo período. — Nem todos os cursos à distância são ruins. Mas eles não são supervisionados direito, não têm uma proposta clara. Muitos alunos desistem porque não têm com quem discutir — diz a superintendente de pesquisa em Educação da Fundação Carlos Chagas, Elba Siqueira Barretto. MEC rebate e diz que tem fechado cursos de má qualidade. A evasão dos cursos de Pedagogia e licenciatura também preocupa educadores. — Nas universidades privadas, os cursos de licenciatura e a Pedagogia são os que têm as taxas mais elevadas de evasão, de 50 a 55% — afirma Maria Helena Guimarães Castro, ex-presidente do Inep, órgão responsável pelas estatísticas do MEC.
O artigo continua e traz testemunhos de jovens:
-estudante de licenciatura em Física: Estudei em escola pública e fiquei sem aulas de Química por quase todo o segundo ano do ensino médio. Tenho interesse em educação devido à realidade da escola onde estudei. Ser professor no Brasil é ato de coragem.
- estudante de Pedagogia: A idéia de ser professor é idealista, é por amor, por gostar de crianças.
- estudante de Química: Às vezes, as pessoas fazem a licenciatura porque sabem que a demanda por professores é alta e que um emprego na indústria, por exemplo, é mais difícil.
Estamos realmente em um “turning point” quando o nosso futuro – os jovens – tem esta visão desconcertante da profissão e quando as estatísticas corroboram que estão indo para outros caminhos.
Nosso futuro estará indo para outro caminho também ou a escola, nossas políticas públicas na área educacional e a sociedade mudarão?
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