Recentemente nos Estados Unidos, tive chance de ver um tributo aos Presidentes dos Estados Unidos produzido pela Disney Company em um de seus parques temáticos com o foco educacional e cultural. Nem é preciso dizer que a produção estava muito boa e a qualidade do roteiro excelente. Cada Presidente era mostrado em suas características pessoais, suas decisões, sua importância histórica. Cerca de dez minutos era dedicado a cada presidente. Era de impressionar como a platéia de norte-americanos adora seus Presidentes e os respeitam. Isto é um dado cultural que os distingue. Veja, por exemplo, como celebram seu 4 de julho, com pompa e circunstância.
Bem, em um determinado momento, comecei a me dar conta de que tinha curiosidade em ver como celebrariam o perfil do seu ex-Presidente George W. Bush, um caso complicado para quem fez o roteiro, certo? Até que chegou o momento. O roteirista teve uma senhora saída, esqueceu qualquer coisa pessoal do referido Presidente Bush, e começou a focar nas Torres Gêmeas, na ajuda que a população deu aos feridos, no papel dos bombeiros ao atender os resultados do ataque terrorista, o poder de renascimento do povo americano, tudo isso num vídeo-clipe com duração não superior a uns três minutos. Ou seja, saíram totalmente do enquadramento até então feito para os presidentes anteriores, deixando de falar de Bush, deixando de dar um tempo necessário para a análise crítica do telespectador, ou seja fugiram do foco, reduziram o tempo e conseguiram trazer a emoção à tona.
Daí me ocorreu que o final do documentário seria bem comprometido… Até que chegou o momento do final e vi que estes norte-americanos são mesmo produtores de primeira linha: colocaram já o Presidente Obama, falando extensivamente de seu perfil, de sua carreira, de sua família e assim por diante.
Saí com uma visão bem clara de que mesmo as coisas ruins podem ser bem maquiadas com o marketing e com uma boa produção. Assim como saí com a impressão de que, se a cultura lhe exige o respeito a um certo valor, a melhor saída acaba sendo evitar o confronto e não falar de algo que passou e que não foi tão bom. George W. Bush foi uma catástrofe inegável como presidente, contudo a força da população norte-americana através da solidariedade humana mostra uma qualidade inegável daquele povo. Pena que este poder de ressurgimento que eles possuem foi apenas a conseqüência de atos impensados e da arrogância de um estadista cego pelo capitalismo.
Na falta de um Presidente Superman, a alternativa do roteirista foi desviar a visão, sem cegar, apenas “girar” o expectador como para que eles pudessem ver a tragédia por outro ângulo, por outros heróis.
Filed under: Escola da Vida, Produção educacional, Tecnologia, avaliação educacional | Tagged: cultura norteamericana; presidentes; ponto de vista

