Quem quer ser um milionário?

Grata surpresa foi assistir ao filme ganhador do último Oscar chamado aqui no Brasil de “Quem quer ser um milionário?”Com roteiro fabuloso, edição perfeita e atuações muito interessantes, o filme conta a história de um jovem indiano que tem uma história de vida trágica, quase sem perspectiva de progresso devido à sua condição social e às poucas oportunidades oferecidas em seu país. Ele se inscreve para participar de um programa de TV em que para ganhar o prêmio máximo o participante deve responder perguntas de conhecimento geral.

A grande sacada do diretor foi mostrar como cada resposta acertada no programa se relacionava com a “História de Vida” de Jamal, personagem principal. Este é um foco interessante para refletirmos os processos de ensino e aprendizagem com professores, alunos e comunidade escolar. Como as pessoas aprendem? Onde elas aprendem? O que aprendem? Com quem ou com o quê aprendem? Qual tipo de saber é valorizado pela sociedade? Esse saber pode ser transformado em conhecimento? Logicamente que estas perguntas servem de alicerce para um reflexão sobre Educação numa visão mais ampla, aquela que não faz uso somente da “Pedagogia Escolar” mas aquela que agrega ao trabalho da Escola a ”Pedagogia Social”.

No filme ainda é possível observar uma cultura completamente diferente da nossa, chamando atenção para alguns assuntos que poderiam ser discutidos a partir da análise do filme. Dentre eles, destaco: Intolerância religiosa, exploração infantil, exploração sexual da mulher, violência contra a criança, a configuração econômica mundial, a banalização do turismo, etc. Este filme prima pelo choque de realidade ao que o expectador é submetido, favorecendo a expansão da consciência em relação à temas tabus que necessitam ser discutidos no mundo atual.

A simbologia da premiação do Oscar já é um indicador que a organização econômica atual passa por uma mudança drástica. Logicamaente que academia americana de cinema fez uma escolha estratégica com objetivo de ampliar o mercado cinematográfico na Índia. Isso é inegável! Contudo a obra escolhida para tal fim merece ser admirada. É uma obra prima! Lindíssima não pela estética incomum, mas pelo significado imbricado em seu roteiro.

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