Muito se fala de como avaliar os alunos. Educadores discutem se as “provas”, criando tensões em momentos específicos, ou as atividades, desenvolvidas ao longo de um período, são mais eficazes. Professores por sua vez, assim como escolas, são avaliados continuamente. O Governo, quando cria programas, condiciona agora a atingimento de metas. Como se não faltassem avaliações, o movimento de empresários, chamado Todos Pela Educação, faz agora a sua avaliação, com o apoio do Ministério da Educação e dos secretários estaduais. Eles definiram metas para 2022 e metas intermediárias e o seu primeiro relatório, divulgado no início de dezembro de 2008, divulga resultados foram insatisfatórios para o aprendizado de português.
Segundo o presidente-executivo do Todos Pela Educação, Mozart Neves, os resultados “são muito preocupantes”, considerando o desempenho em língua portuguesa. O relatório não explica o porquê da diferença de rendimento dos alunos em língua portuguesa e matemática. A recomendação do grupo para melhorar o quadro é que haja uso de programas adequados para formação de professores e melhoria nas condições de trabalho dos educadores. (FSP, 12/12/2008).
A secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar, disse que o Proletramento, programa criado em 2005 pelo governo federal que foca a formação dos professores em matemática e português, é uma das explicações para a melhora em matemática. Sobre o desempenho insatisfatório de português, “o próprio debate sobre alfabetização na década passada, muito centrado na disputa entre teorias, acabou atrapalhando”.
Tem mérito a iniciativa do Movimento, pois quem sofre o efeito de uma educação deficiente são os empresários e a sociedade como um todo. No entanto, engraçados estes relatórios. O tal do relatório foi baseado nos resultados dos exames federais Prova Brasil e Saeb. Ou seja, estamos usando as mesmas ferramentas de sempre.
Pensamos que a entrada de empreendedores trouxesse uma visão mais aberta sobre o que é educação. Tudo bem medir para ficar dentro dos parâmetros usados internacionalmente. Mas se queremos mesmo que nossas crianças e jovens cresçam como adultos plenos, conscientes, será que não deveríamos partir de uma análise mais ampla? Por que a conclusão final é sempre a mesma: formar os professores? A televisão não tem nada a ver com isso tudo? A internet também? O inchaço da rede pública, pela inclusão feita nas últimas décadas, sem que fosse aumentado o orçamento proporcionalmente, não tem nada a ver com estes resultados? E o papel das famílias, com problemas financeiros, dissociadas, com pai e mãe voltados para o trabalho como centro de suas vidas? E os ganhos dos professores e sua dupla ou tripla jornada? E o mundo interessantíssimo que se desvela aí fora das escolas, tornando-as ambientes chatos? Outro dia, em um filme, alunos olhavam um incêndio ao longe e um deles disse: “tomara que tenha pegado fogo na escola”. Ué, por que será?
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