A formação de “atletas” e de “cidadãos de bem” é um trabalho realizado a longo prazo por diversos segmentos da sociedade. A Família, o Estado e a Escola são instituições que desempenham um papel estratégico na definição de “futuro” de uma nação. No presente obtemos aquilo que foi lapidado no passado.
Os Jogos Olímpicos ilustram muito bem como a nação investe no potencial humano. Percebemos que os brasileiro, de modo geral, se sobressaem nos esportes coletivos. Por que será que isto ocorre? Provalemente pela cultura escolar que por ter poucos recursos para a área da Educação Física, privilegia o que sai mais barato: uma quadrada, uma bola para vários jogadores. Esporte barato, gosto nacional, fama internacional!!! E viva a bola!
Nos esportes individuais, o diferencial é o atleta (o indivíduo). Na escola pública brasileira não existe a possibilidade da prática de modalidades desta natureza. Quem se destaca neste esporte teve ajuda da família, ou é exceção à todas as regras.
Dia desses, ouvindo a entrevista da mãe de uma medalhista olímpica para uma rádio, fiquei achocado com as histórias contadas por ela. Mãe e filha venderam tudo que tinham em casa para poder comprar passagens de ônibus e aéreas para ela competir quando estava no início da carreira. A filha dizia: - Vende tudo, mãe! Depois a gente compra tudo de novo! Hoje ela é medalhista olímpica e recebe R$1.200,00 para ser a melhor do mundo no que faz. Existe outra saída? Lógico que não!!! Provavelmente ela se renderá às campanhas publicitárias para recuperar aquilo que foi vendido.
As histórias de vencedores são fáceis de contar, mas fico pensando: E aqueles que se dedicaram, venderam tudo, doaram-se de corpo e alma à um esporte e, no final, não conseguiram resultados tão expressivos? Será que para estes o brilho do ouro brasileiro é o mesmo? Com certeza não.
A imprensa esquece de mencionar que muitos dos heróis de esportes como a natação, são fabricados fora do Brasil. Brasileiros made in USA! Brasileiros made in another place!!!
O esporte, citado exaustivamente pela mídia, como exemplo positivo para os jovens, sempre é deixado de lado pelas políticas públicas educacionais. Depois reclamam que nossos atletas são mercenários! Não, eles estão apenas escolhendo ficar no lugar em que são valorizados. Nem que este lugar seja longe da família e do outro lado do mundo.
Exportamos atletas aos montes!!! Comércio exterior em alta! Internamente: o alerta – onde estão os investimentos no desenvolvimento sistematizado dos jovens brasileiros? Eles merecem esportes, eles merecem conhecer outras atividades além daquelas “mais baratinhas”.
Pela extensão territorial que possui o Brasil, o país deveria obter mais medalhas nos Jogos Olímpicos. Não simplesmente pelo fetiche do ouro, da prata e do bronze, mas principalmente porque temos talentos nas escolas públicas ávidos por uma oportunidade. Diamantes brutos que não podem ser lapidados! Sonhos infanto-juvenis pré determinados pela lógica mercantil.
Quanto vale um atleta? Muito. Sabe por quê? Para se fazer um atleta “top de linha” ajudamos a formar centenas de cidadãos que se educaram no esporte. A medalha olímpica não vale apenas ao campeão, ela simboliza a trajetória dos vencedores na vida.
Sim, eu quero ouro em abundância ! O verdadeiro ouro: o brilho dos olhos das crianças e dos jovens brasileiros.
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