Uso compulsivo de internet e celular.

Para os professores, a internet tem sido um desafio duplo: como se atualizarem, explorando este mundo novo e que muda a cada instante, e como direcionarem os alunos para o uso adequado da internet nos estudos e para a compreensão do alcance desta ferramenta.

Os pais, por sua vez, enfrentam seu próprio desafio: fazer com que os jovens tenham autonomia frente à internet e não a transformem em uma nova janela de fuga, trilha tão comum na adolescência, quando queremos contato com o mundo, mas sem profundidade.

A questão é mundial. Notícia recente, deste mês de junho, falam de jovens, com 12 e 13 anos de idade, que estão fazendo terapia em uma cidade da Catalunha, na Espanha, para se recuperarem de uma dependência de aparelhos celulares e internet. O Centro de Saúde Mental Infantil, de Lleida, que os atendeu, já trata de 20 crianças com o mesmo problema de uso compulsivo de celulares (entre cinco a seis horas por dia) ou de internet. O Messenger é o recurso mais utilizado. A notícia comenta sobre a total falta de controle dos pais sobre o assunto.

A nós cabe uma reflexão importante: a internet, o celular, o iPod e tantas outras criações da tecnologia são um fenômeno urbano recente. Interessantes, divertidos, fantásticos mesmo. Contudo, por que terão substituído todos os tipos de lazer das nossas cidades? Por que transformaram a aula, o contato com a família, a convivência física com os amigos, em algo tão superado? Talvez se conseguirmos responder estas questões, estaremos evitando que os centros de ajuda tenham que lidar com o incremento de jovens com menos de 16 anos, afetados pelo uso compulsivo de internet e celular.

Teremos coragem de perguntar por que e de, realmente, responder, mesmo que isso nos leve à constatação da total superação do modelo que temos vivido como educadores? Outra reflexão relevante: a geração passada não deu exemplos de uso abusivo de celular, computador ou qualquer um destes equipamentos. Então, estamos à frente de uma nova forma de aprendizagem, que não passa pelo exemplo dos adultos e pelas atitudes dos educadores tradicionais, assim entendidos os pais e professores?

One Response

  1. Ótimo artigo cara!

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