Rali escolar: a mais cruel das provas.

Vez ou outra a mídia brasileira investe pesado na análise unilateral de serviços públicos, categorias profissionais ou hábitos contemporâneos. Ela faz uso de pesquisas ou avaliações financiadas pelo próprio governo e dá o veredito de culpado ou inocente a determinado grupo de pessoas. O público compra! Ou pelo menos grande parte da população acredita. Cria-se então o que eu chamo de “cultura pré-fabricada”.

A Educação Pública brasileira é a bola da vez nestas análises. Os meios de comunicação, agora estarrecidos com os dados da avaliação do ENEM, chegaram à conclusão de que o ensino anda mal das pernas. Pois bem, se fosse ela (a mídia) tão preocupada com a questão, não esperaria um aluno chegar no Ensino Médio, dez ou onze anos depois do seu ingresso na Escola, para dizer que ele (o aluno) não aprendeu o suficiente.

As comparações então são assustadoras,  comparam o Colégio Particular X (mensalidade R$ 2.000,00, hora aula do professor R$ 45,00, formação mínima – Mestrado, número de alunos na classe 20) com a Escola Pública Y (mensalidade – os impostos, hora aula do professor R$5,00, formação mínima – Ens. Médio – Magistério, número de alunos por classe 45). As análises dessas pesquisas são feitas apenas usando o dado quantitativo  e sempre descontextualizadas. Não falam por exemplo que a criança que estuda nestas ” super escolas elitizadas” recebem estímulos culturais e sociais desde pequenos em casa. São filhos de pais escolarizados, na sua grande maioria, são cercados por um aparato educacional imenso (curso de idiomas, cursos de esportes, viagens internacionais, acesso a todos os tipos de bens culturais, etc.). Enquanto que muitos jovens pobres da escola pública sequer conhecem um teatro.

Esqueceram de mencionar que as escolas particulares que tiveram bons resultados nestas avaliações não representam nem 5% do total das escolas privadas. (Mero detalhe!)

Esse tipo de comparação injusta e dissimulada compromete a imagem de uma classe profissional já tão desprestigiada, a dos professores e professoras. Há de se fazer justiça com estes heróis do descaso estatal!

Dia desses na TV, ao mostrar professoras de uma Escola Particular, uma famosa rede de TV fez questão de enfatizar a beleza e estilo destas jovens educadoras. Em seguida mostra a Escola Pública de uma quase-aldeia brasileira (um município corrupto do interior) e mostra uma professora sem as mínimas condições de vida e vestida de forma paupérrima. Qual a finalidade deste tipo de compração? Aniquilar com o educador da escola pública? Estimular no povo brasileiro a descrença por esta categoria? Ou favorecer algum grupo interessado em privatizar o ensino? Realmente “não sei”!

Eu só sei que a Educação Pública, em especial o professor,  vive um momento de estrangulamento. De um lado as péssimas condições de trabalho e do outro lado a cobrança “sem escrúpulos” por bons resultados.

Deram aos professores um “Fusquinha 66″ e pediram para que eles participassem do Rali Paris-Dakar! Faz-me rir!

One Response

  1. hehehehe
    Legal..

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