INTERNET NA ESCOLA: CAMPANHA DE XUXA.

laptop100_interna.jpg  A internet se expandiu tanto que hoje é impossível pensar em boa educação sem o apoio da internet. Em novembro de 2007, o Estado de São Paulo, entre outros jornais, publicava matéria (foto ao lado) sobre os computadores de 100 dólares que estavam sendo produzidos para países pobres, abrindo uma perspectiva fabulosa para a escola pública, se tudo se concretizasse.

No entanto, o projeto parece ainda não ter decolado para o Brasil e, nem sempre, as escolas têm laboratórios de  informática que orientem sobre o uso da internet. Para o professor, ocupado com sua própria disciplina, cabe exigir, por exemplo, que ele utilize blogs e ofereça a oportunidade dos alunos usarem a internet em pesquisas. No entanto, não se pode também exigir que ensinam a usar a internet, até porque ele próprio está ainda aprendendo muito. 

Uma campanha lançada em março de 2008 parece ter acendido uma luz sobre o tema. Feita pelo CDI (Comitê para Democratização da Informática), do Paraná, e com a assinatura da Fundação Xuxa Menehel, além da operadora GVT, parecia que iria vir na direção deste tema tão atual e tão mal encaminhado.

Sobre a campanha, informaram que a cartilha produzida seria o primeiro produto de uma série. Esperamos. A cartilha, como conceito, é interessante mas foi criada dentro do mesmo critério que está por aí, quando se fala em educar o estudante sobre o uso da internet, e que não atrai a criança mas, sim, os pais, e mesmo estes, quando estão com tempo para o filho, se não, nem isso. Vai pegar um feirante que acorda de madrugada para ir ao Ceasa buscar verduras e pedir que, para apoiar seu filho nos percursos da internet, ele leia a tal da cartilha. Duvido que o faça. A linguagem é chata, até para adultos. 

Um exemplo. A campanha tem histórias em quadrinhos, como um dos recursos de comunicação. Uma das histórias se chama Trabalho Nota Dez, e mostra dois alunos brincando na internet em vez de fazerem a pesquisa sobre o tema “ Estatuto da Criança e do Adolescente”, solicitada pela professora. Primeira pergunta: o Estatuto é tema para os pais; deveria ser para a criança? Digam-me vocês, por favor. Mas, vamos ao segundo. A história conta que os alunos ficam brincando e, na hora H, copiam o texto do Estatuto e entregam à professora que lhes dá 10 e, na semana seguinte, os chama para apresentar o trabalho. Fica, então,  sabendo que não foram eles que o fizeram. Será que a professora não percebeu mesmo e só se deu conta na frente do fiasco dos alunos? Enfim, passam de 10 para zero. Zero deveria levar a professora que nem avisou que o trabalho também era para ser apresentado, diria um pai mais cismado…  

Deixemos isso também para lá e vamos ao terceiro ponto. A historinha termina assim: A internet é um ótimo instrumento de pesquisa, mas deve ser utilizada para a formação do conhecimento. Utilize com responsabilidade! 

Meu Deus do céu, eles estão ensinando o quê, para quem? Isso não é ensinar. Primeiro que a idéia deve ser ensinar a criança a “usar a internet com inteligência”. Com o tempo, usando com inteligência, terão sua curiosidade despertada e uso estimulado, chegará a hora de ensinar a responsabilidade. Concordam?

Segundo que ensinar é mostrar como se pesquisa na internet, como funcionam os robôs de busca, como se trabalha na montagem de trabalhos, aproveitando o melhor da pesquisa e fazendo um raciocínio sobre isso, que tipo de textos podem ser usados e qual é a ética que regula seu uso….  aliás, esta é a tarefa dos laboratórios de informática bem estruturados, com profissionais conscientes e equipamentos adequados.

Enfim, que oportunidade de ouro para se aplicar  tais recursos ensinando realmente a usar a internet – utilizada de forma tão ingênua. Vamos torcer para que os próximos produtos  do projeto apresentem maior envergadura e mais sintonia com a realidade.

Leave a Reply