O conhecimento da História da Educação pode trazer à sociedade brasileira a discussão sobre os valores humanos, as políticas públicas em Educação e os comportamentos e práticas pedagógicas utilizadas ao longo dos tempos. O livro “Evidentemente. Histórias da Educação” de António Nóvoa, (Edição portuguesa de 2005) traz 50 textos sobre a evolução da educação portuguesa nos séculos XVIII, XIX e XX escritos brilhantemente. São considerações a respeito da estrutura escolar em seus aspectos arquitetônico, organizacional, pedagógico e cultural. São textos curtos e ilustrados com fotos da época. Um verdadeiro resgate histórico de leitura fluida e esclarecedora.
O Brasil carrega até os dias de hoje esta herança cultural. Muitos textos apresentados neste livro nos remetem ao passado, mas é impressionante o número de textos que nos alertam para os erros praticados pelos gestores públicos nos dias de hoje. Em muitos casos, os relatos dos anos de 1800 soam como manchetes do jornal da semana passada.
“Transbordamento?”, por exemplo, é um texto apresentado logo na introdução do livro em que o autor traz em forma de recordação um excerto escrito pelo filósofo francês Daniel Hameline há um quarto de século atrás que diz: ” Investida de todas as missões possíveis e imagináveis, a escola, vítima de um verdadeiro delírio inflacionista, via-se despojada da especificidade de uma educação escolar. E foi este facto que criou um grande mal-estar no seio dos professores, e também entre os pais e os alunos”. Repare que o passado ainda é atual! Retrata uma questão que não tem um equacionamento solúvel do ponto de vista das políticas públicas atuais.
Educação é artesanato! Educação é trabalho meticuloso, é o mesmo que talhar esculturas na madeira. É arte! A Educação não pode ser gerida com processos idênticos aos aplicados na indústria. A produção educacional não se dá em escala pois é impossível educar da mesma forma todos os humanos. E ainda bem que é assim!
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