Memorizar ou esquecer?

Boa parte da nossa educação se faz para forçar a memorização de fatos, datas, nomes, eventos. Socialmente, também, prestigiamos pessoas que tem memorização forte. Concursos sobre conhecimento de biografias, músicas e coisas similares reforçam o elogio à memorização.

No entanto, vale lembrar um outro lado deste tema. Quem memoriza muito, acaba perdendo o sentido geral do que memoriza. E acabam também tendo dificuldade de tomada de decisão com os dados memorizados, acabando por se fixar em detalhes irrelevantes da massa de dados memorizada.

O psicólogo russo Alexander R. Luria escreveu, no livro  “A Mente de Um Mnemonista”, sobre Solomon Shereshevsky, um homem que poderia recitar discursos inteiros, depois de ouvi-las uma só vez. Em minutos, memorizava fórmulas matemáticas complexas, tabelas compostas por 50 números ou palavras sem sentido. Ele poderia inclusive repeti-las muitos anos depois de memorizadas.  O peso destas memórias acabou criando uma confusão paralisante em sua mente, onde uma palavra acaba evocando mais de uma imagem, criando um verdadeiro caos em sua mente.

Esquecer faz parte de saúde mental e emocional. O conhecimento verdadeiro das coisas já não está todo dentro de nós?

A velocidade do comboio.

Transcrevo comentário de ontem do jornalista Fernando Albrecht – muito oportuno para reflexão, na linha do nosso post “Há futuro na educação?”.

A velocidade do comboio

O mal que a não-repetência está causando para o futuro brasileiro não está no gibi, especialmente no ensino médio. É uma devastação cultural enorme. Professores com quem se conversa dizem que por conveniência, por temor de represálias ou por orientação superior, passar aluno que foi mal é regra. Então acontece que ele chegará à universidade sabendo nada e irá para o mercado de trabalho completamente despreparado.

Como eles serão – se já não são – maioria, temos a explicação porque as universidades despejam tal quantidade de sinceros porém maus profissionais. Olhem em volta, olhem na sua profissão, na sua empresa, na sua repartição.

O futuro? A velocidade do comboio é regulada pelo navio mais lento.

Educação paga é melhor?

Na mídia, neste momento, é a hora dos pais reclamarem pelos aumentos abusivos das escolas, muito acima da inflação. Trabalhamos aqui no Brasil sobre a convicção de que a escola tem que ser paga para ser boa – a partir disso só se pode reclamar de preços e mais nada.

No mesmo momento, leio um artigo sobre a Finlândia e sua educação de excelência que, desde 2000, tem mantido altos níveis no estudo PISA realizado pela OCDE a cada três anos, comparando desempenho de jovens de 15 anos em vários países, em leitura, matemática e ciências. E lá a educação é gratuita.

Como também é em Portugal e em outros locais.

Por que será que não começamos a reclamar a partir deste ponto: por que a educação tem que ser paga? Esta é a hora de começar a fazê-lo.

Há futuro na educação?

No jornal O Globo de ontem (14/11) estava a manchete triste: Pesquisa mostra que apenas 2% dos jovens querem ser professores. A notícia fala dos velhos problemas: falta de preparo dos professores, salários baixos e indica que “apenas 2% dos jovens querem cursar Pedagogia ou alguma licenciatura, segundo pesquisa da Fundação Carlos Chagas.”

Segundo o MEC, os alunos de licenciatura ou Pedagogia vem diminuindo na modalidade presencial, por causa da falta de interesse dos jovens. Em 2005, 1,2 milhão de alunos estudava alguma licenciatura, número que, em 2009, passou para 978 mil. No mesmo período, o número de alunos de Pedagogia caiu de 288 mil para 247 mil. No entanto, houve expansão das graduações à distância, para atender à necessidade de professores que já estão no mercado de trabalho. De 2005 para 2009, o número de estudantes das licenciaturas subiu de 101 mil para 427 mil. Nos cursos de Pedagogia, o número pulou de 27 mil para 265 mil, no mesmo período. — Nem todos os cursos à distância são ruins. Mas eles não são supervisionados direito, não têm uma proposta clara. Muitos alunos desistem porque não têm com quem discutir — diz a superintendente de pesquisa em Educação da Fundação Carlos Chagas, Elba Siqueira Barretto. MEC rebate e diz que tem fechado cursos de má qualidade. A evasão dos cursos de Pedagogia e licenciatura também preocupa educadores. — Nas universidades privadas, os cursos de licenciatura e a Pedagogia são os que têm as taxas mais elevadas de evasão, de 50 a 55% — afirma Maria Helena Guimarães Castro, ex-presidente do Inep, órgão responsável pelas estatísticas do MEC.

O artigo continua e traz testemunhos de jovens:

-estudante de licenciatura em Física: Estudei em escola pública e fiquei sem aulas de Química por quase todo o segundo ano do ensino médio. Tenho interesse em educação devido à realidade da escola onde estudei. Ser professor no Brasil é ato de coragem.

- estudante de Pedagogia: A idéia de ser professor é idealista, é por amor, por gostar de crianças.

- estudante de Química: Às vezes, as pessoas fazem a licenciatura porque sabem que a demanda por professores é alta e que um emprego na indústria, por exemplo, é mais difícil.

Estamos realmente em um “turning point” quando o nosso futuro – os jovens – tem esta visão desconcertante da profissão e quando as estatísticas corroboram que estão indo para outros caminhos.

Nosso futuro estará indo para outro caminho também ou a escola, nossas políticas públicas na área educacional e a sociedade mudarão?

Matemática financeira para ensino médio

O grupo Matemática Financeira na Gestão Empresarial e na Formação do Cidadão, do Linkedin Group Members, traz hoje uma discussão interessante sobre o uso de MF na sala de aula, com estudantes de ensino médio. Selecionei uma resposta.

Para alunos do nível médio, que conteúdos vocês acham adequados desenvolver num curso de caráter multidisciplinar mas com enfoque na educação financeira?

Resposa de Evanilton A.: Acredito que os alunos possuem muitas dificuldades em cálculos elementares envolvendo (%), mesmo com a calculadora. Então sugiro tratar de Receita, custo, lucro e ponto de equilíbrio, em especial na visão da pessoa física.

- Adentrar nas finanças pessoais.

- Controle de gastos em relação com os ganhos.

- Relação com cheque e cartão de crédito.

- Formar cidadãos com melhor visão sobre gastos na relação com receita.

Acredito que seja dessa forma. Então ele terá uma visão melhor de mercado de forma geral.

Ensinar com projetos

 

Fonte: Interactic.ning.com

Inovação na educação

Este vídeo foi feito pelos alunos de uma escola que fica em uma região em Portugal.

A Microsoft Corporation selecionou o Agrupamento de Escolas de Lousã, esta região, para integrar o seu programa mundial de Escolas Inovadoras, que distingue as escolas que em todo o mundo mais se destacam pela utilização da tecnologia na sala de aula.

Vale a pena ver o vídeo e pensar se não seria interessante estimular os alunos de sua escola a produzirem um vídeo contando experiências do dia a dia que possam ser interessantes para outras escolas, alunos e professores.

Fonte: interactic.ning.com

Para onde vai a escola?

Duas notícias se cruzam e nos permitem ricas reflexões sobre o rumo da escola.

A primeira notícia é sobre uma pesquisa que há um mês informou que os coordenadores pedagógicos, que deveriam estar capacitando e atualizando os professores, se envolvem com várias das rotinas da escola e fazem de tudo menos capacitar e qualificar professores. (ver pesquisa ao final).

A outra notícia, embora do ano passado, circulou de novo, esta semana, em vários blogs cariocas, dando conta de que o Colégio Militar do Rio de Janeiro é o que mais manda alunos para Harvard. Os posts sobre o assunto repetem, todos, que isto é resultado de uma forte base pedagógica que tem o Colégio Militar e de uma ação integrada entre pais e escola na busca da formação de cidadãos conscientes, patrióticos, ajustados à sociedade. Ideal que era de nossos avós, lembram-se? E que hoje estão perdidos. Mas que, talvez, não se coadunem mais com uma sociedade que está baseada na individualidade.

Enfim, a reflexão que fica é: a escola está perdididinha… pesquisas de tudo que é tipo surgem, comentários de toda ordem, comparações, críticas, enfim, é o ó do borogodó como se dizia antigamente…

A outra reflexão é: será que poderíamos voltar àqueles valores dos nossos pais, hoje?

No caso do Colégio Militar e de Harvard, é possível fazer outra reflexão derivada: existe uma conveniência entre os interesses norte-americanos e os militares no Brasil… Ou viajei?

Finalmente, uma última reflexão: pode ser que esteja na hora de buscarmos um novo alicerce para a escola, uma educação centrada em uma consciência planetária, ou seja, vazar as janelas da escola e ir direto para o cosmos. Pode ser que voltemos refrescados, entusiasmados (no sentido de ter alegria na alma) e que criemos então uma escola verdadeira que volte a interessar alunos, pais, professores e coordenadores…

Ficam aí minhas reflexões para que você faça as suas e, se quiser, nos conte.

** Pesquisa citada (divulgada em 3 jun 2011): “O Coordenador Pedagógico e a Formação de Professores: intenções, tensões e contradições”, realizada pela Fundação Victor Civita (FVC) em parceria com a Fundação Carlos Chagas (FCC).

Sejam os reis do espírito e alarguem o limite de seus pensamentos até a escala planetária.

HELENA ROERICH

As coisas simples da vida.

Educar, hoje, implica em fazer o retorno às coisas simples da vida para que as pessoas sintam o verdadeiro humano que há nelas. Outro dia um pai, amigo meu, se aproximou dos dois filhos e de um amigo deles que estavam em uma mesa, conversando entre si… pelo iPhone… Nem se olhavam… Será que não estamos distanciados demais de tudo que realmente importa? Como o conteúdo hoje está todo na internet, que papel realmente nos cabe agora? Talvez o maior. O de fazer as crianças e os jovens voltarem a ser humanos. Este vídeo é muito isso.

Tempo para algo drástico.

Um blog muito interessante – embora em inglês – traz idéias que questionam o modo em que a educação se produz hoje, e propõe novas idéias, criatividade. Seu recente post – Who invited creativity to this meeting anyway?” defende a idéia que dá nome a este nosso post: estamos em um tempo para algo drástico. Fala dos famigerados testes escolares e de um planejamento escolar onde o estudante realmente participa e opina.

O blog – neilfinney.blogspot.com está começando. Tem lá seus dois meses, porém traz coisa vigorosa, que vale a pena ler. Que continue e se multiplique!

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