Boa parte da nossa educação se faz para forçar a memorização de fatos, datas, nomes, eventos. Socialmente, também, prestigiamos pessoas que tem memorização forte. Concursos sobre conhecimento de biografias, músicas e coisas similares reforçam o elogio à memorização.
No entanto, vale lembrar um outro lado deste tema. Quem memoriza muito, acaba perdendo o sentido geral do que memoriza. E acabam também tendo dificuldade de tomada de decisão com os dados memorizados, acabando por se fixar em detalhes irrelevantes da massa de dados memorizada.
O psicólogo russo Alexander R. Luria escreveu, no livro “A Mente de Um Mnemonista”, sobre Solomon Shereshevsky, um homem que poderia recitar discursos inteiros, depois de ouvi-las uma só vez. Em minutos, memorizava fórmulas matemáticas complexas, tabelas compostas por 50 números ou palavras sem sentido. Ele poderia inclusive repeti-las muitos anos depois de memorizadas. O peso destas memórias acabou criando uma confusão paralisante em sua mente, onde uma palavra acaba evocando mais de uma imagem, criando um verdadeiro caos em sua mente.
Esquecer faz parte de saúde mental e emocional. O conhecimento verdadeiro das coisas já não está todo dentro de nós?
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